Quatro Principais Conclusões para Promover a Convergência entre Aprendizagem e Trabalho

É hora de mudar a forma como consideramos e implementamos a aprendizagem. Precisamos dessa mudança de mentalidade não apenas para alcançar necessidades futuras de habilidades, mas também para começar a extrair o maior valor possível do capital humano, nosso verdadeiro motor de crescimento e sucesso.

Ranjit de Sousa, CEO Global, LHH
Olhe para seus talentos de uma forma totalmente nova

Transforme sua força de trabalho em uma verdadeira força

Let's talk

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Se você escutar atentamente, é possível ouvir o som do futuro do trabalho colidindo com o futuro da aprendizagem.

 

Essa colisão tem sido anunciada há muito tempo. Entretanto, a convergência de diversas forças poderosas — inteligência artificial, escassez global de habilidades, pandemia da covid-19 e a ascensão da força de trabalho contingente — levou a um novo patamar o debate sobre como nos preparar para o futuro do trabalho.

 

Cada vez mais, estamos percebendo que a nossa capacidade futura de criar e solucionar problemas — as tarefas fundamentais que ajudam a gerar economias vibrantes e a criar empregos gratificantes — é total e completamente determinada pela nossa capacidade de proporcionar oportunidades de aprendizagem alinhadas aos empregos humanos do futuro. Enquanto alguns de nós começam a acordar para essa realidade, outros, como o Fórum Econômico Mundial (FEM), já vinham prevendo isso há anos.

 

“O momento atual oferece uma oportunidade aos líderes de empresas, governos e políticas públicas para unirem esforços com o intuito de melhorar o acesso e a oferta de requalificação e qualificação, motivando a realocação interna, além de sinalizar o valor de mercado de aprendizagem que pode ser proporcionado por meio de tecnologias educacionais em larga escala”, afirma o relatório Future of Jobs Report 2020, do Fórum Econômico Mundial.

 

São objetivos elevados, que vêm sendo defendidos por alguns de nós da indústria do capital humano há alguns anos. E já houve algum progresso. No entanto, em razão da massiva transformação corporativa e tecnológica causada pela covid-19, é urgente lidar com a falta de avanço que obtivemos em preparar os trabalhadores ao redor do mundo para o futuro do trabalho. Mesmo quando nações ou empresas individuais nos mostram o caminho com soluções inovadoras, muitos de nós acabam ficando para trás, sem saber ao certo o que fazer e quando fazer.

 

Como explicou o FEM, o casamento entre a aprendizagem e o trabalho exige “uma abordagem holística” que deve envolver “a colaboração entre múltiplas partes interessadas de diferentes empresas que queiram apoiar sua força de trabalho; governos dispostos a financiar a requalificação e a adaptação de programas educacionais para o meio de carreira; empresas de serviços profissionais e de tecnologia capazes de mapear potenciais transições de emprego ou oferecer serviços de requalificação; sindicatos conscientes do impacto dessas transições sobre o bem-estar dos trabalhadores; e organizações comunitárias que possam dar visibilidade à eficácia da nova legislação e oferecer feedback no início de sua elaboração”.

 

A subida é íngreme, mas precisamos enfrentá-la. E só alcançaremos o topo se começarmos a reconsiderar algumas das suposições mais antigas e profundamente enraizadas sobre a relação entre aprendizagem e trabalho.

 

Rumo a um mundo de aprendizagem sob demanda

 

A Higher Colleges of Technology, maior instituição de ensino aplicado dos Emirados Árabes Unidos, não esperou por uma pandemia global para começar a mudar sua abordagem em relação à educação. Ao longo de muitos anos, a HCT vem-se preparando para se reimaginar como instituição virtual. Para reduzir riscos durante a pandemia, a HCT agilizou seus planos para oferecer aprendizagem remota e transferiu todos os seus cursos para a plataforma on-line em março de 2020.

 

Entretanto, a HCT está fazendo muito mais do que transferir o ensino tradicional e presencial para o ambiente on-line; a escola adotou um modelo sob demanda para proporcionar um ensino que permita aos estudantes buscar treinamento para habilidades específicas relacionadas ao trabalho, em vez de uma jornada padronizada, durante anos, para conquistar o diploma. Agora, os estudantes podem se matricular e aprender de qualquer lugar, construindo um plano de ensino menos voltado à obtenção de credenciais acadêmicas e mais focado em satisfazer as necessidades do mundo real para um trabalho específico.

 

A HCT não é apenas defensora de uma nova abordagem de ensino; ela também pratica o que prega. Hoje, ela oferece um dos primeiros programas “e-Teacher” do mundo, treinando uma nova geração de instrutores com conhecimentos específicos no ensino virtual e no uso de ferramentas digitais de ponta.

 

Se existe algo que podemos aprender com a história da HCT é sobre como essa escola desafiou conscientemente nossas noções preconcebidas do que é uma educação relevante em um contexto moderno e como estruturamos a aprendizagem para preencher uma lacuna entre educação e ocupação.

 

Cada vez mais, os empregadores começam a desafiar suas próprias ideias do que realmente significa ser habilidoso. Educação superior, com suas etiquetas de preços elevadas e anos de comprometimento, ainda é uma mercadoria valiosa. Contudo, os empregadores estão preocupando-se menos com credenciais acadêmicas e mais com coisas como “experiência relevante”. Ao mesmo tempo, cada vez mais países começam a investir fortemente em programas de formação de aprendizes, nos quais ocorre o casamento perfeito entre aprendizagem e trabalho.

 

Reinventando a sequência de trabalho e aprendizagem

 

Todo mundo conhecia o caminho para um ótimo emprego: trabalhar duro no ensino médio a fim de se qualificar para um programa pós-secundário de primeira linha; trabalhe duro na faculdade ou universidade para conseguir um diploma; use o diploma para garantir um emprego bom e duradouro. Se aprendemos alguma coisa durante este ano mais desafiador, e nos últimos anos, é que essa sequência deixou de ser viável.

 

Heather E. McGowan, estrategista do futuro do trabalho, lançou recentemente um livro chamado The Adaptation Advantage (tradução livre: A vantagem da adaptação), no qual argumenta que o caminho “aprender para trabalhar” foi substituído por uma jornada “trabalhar-aprender-trabalhar-aprender”. Alguns anos atrás, McGowan citou uma frase que, na minha opinião, todos os empregadores deveriam gravar em suas estratégias de capital humano: “A aprendizagem é a nova aposentadoria”.

 

Nesse sentido, nós da LHH incentivamos líderes de educação corporativa, desenvolvimento e recursos humanos a começar a mudar a forma como pensam e implementam a aprendizagem. Precisamos desesperadamente dessa mudança de pensamento não apenas para alcançar necessidades futuras de habilidades, mas também para começar a extrair o maior valor possível do capital humano, nosso verdadeiro motor de crescimento e sucesso. Estas são nossas quatro principais conclusões para favorecer a convergência entre aprendizagem e trabalho:

 

  • A aprendizagem deve tornar-se fundamental. Os empregadores devem incorporar a aprendizagem como um elemento central de seus contratos com os colaboradores. Durante muito tempo, estivemos focados nas obrigações do indivíduo em relação ao empregador: engajamento, produtividade, criatividade, lealdade. Em nosso contexto atual, hoje sabemos que os empregadores devem recompensar esses compromissos com o nosso próprio comprometimento com oportunidades de aprendizagem para a vida toda, a fim de que estratégias como coaching, requalificação e realocação se tornem ferramentas essenciais para a gestão da força de trabalho.

  • A aprendizagem deve ser mais flexível e intencional. Abordagens antigas e desatualizadas devem ser substituídas por uma educação nova, sob demanda e potencializada pela tecnologia digital, utilizando as melhores ferramentas on-line e estratégias de ensino, além de proporcionar a melhor experiência de usuário que se ofereceria ao consumidor. Hoje temos o poder de colocar o ensino na palma de nossa mão, literalmente, por meio de aplicativos mobile e smartphones. Isso significa que também podemos organizar a aprendizagem para fazer parte do dia de trabalho, ou fora das horas de trabalho, como for melhor para cada indivíduo. E o foco deve ser tanto nas necessidades futuras de habilidades do empregador quanto nos objetivos futuros de carreira do profissional.

     

  • Os líderes precisarão se tornar coaches, mentores e professores. Uma função essencial da liderança hoje é a capacidade de orientar colaboradores a desenvolver as próprias capacidades e a se tornarem o melhor que possam ser. Mas o coaching eficaz é uma habilidade adquirida. As empresas devem investir para que os líderes construam competências de coaching que impulsionem o desempenho dos colaboradores, até mesmo construindo novas habilidades para conduzir conversas de coaching de nível profissional em relação a performance, desenvolvimento e carreira.

     

  • A aprendizagem deve ser vista como investimento, e não como custo. Princípios de contabilidade geralmente aceitos exigem que as organizações categorizem investimentos em requalificação ou treinamento como custos e não como investimentos. Entretanto, temos discutido novos modelos de contabilidade que permitam aos empregadores recategorizar esses gastos como investimentos, assim como a compra de um novo prédio ou de uma nova máquina. O Grupo Adecco é líder internacional nesse assunto, tendo publicado vários artigos convocando uma modernização das regras de contabilidade para que a aprendizagem seja reclassificada como um investimento. Isso poderia desencadear uma nova geração de investimentos em aprendizagem, preparando nossas forças de trabalho para o futuro.

 

Durante a pandemia, enquanto todos enfrentamos uma onda gigantesca de novos desafios, corremos o risco de perder de vista as oportunidades que acompanham a mudança. Talvez hoje seja a nossa maior oportunidade de reimaginar nossa maneira de trabalhar a aprendizagem, para que se torne parte do contrato básico entre empregador e colaborador. As organizações que aceitarem o desafio e aproveitarem o momento terão em suas mãos um futuro pleno de potencial e sucesso.


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