A transição e o plano de vida

Quanto mais sênior o executivo, muitas vezes, a dificuldade de elaborar um plano de vida é maior. Quanto mais vai se galgando a postos mais elevados mais vai se apegando ao poder e menos se pensa no futuro.

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O poder funciona como um imã puxando o executivo sempre para o poder e muitas vezes se esquecendo de si, da família, dos amigos.  Para se ter ideia, 70% desta população quando passa por uma transição de carreira, não tem um plano de vida e 98% quer um novo emprego igual ao que tinha, não conseguindo, então, visualizar que diante do cenário atual, talvez, em muitos casos, não seja sustentável a longo prazo um emprego igual ao anterior. Assim, neste momento é essencial para este público uma reflexão profunda de qual seria seu próximo passo. 

Entretanto, vale destacar que ter um plano de vida não é só necessário para o nível executivo. Hoje, todos no mercado de trabalho atual, volátil, ambíguo e complexo, têm que ter um norte para onde caminhar e devem estar constantemente analisando se o rumo ainda é válido, porque o que se pensou agora, em pouco tempo, pode não ser mais apropriado, devido às mudanças constantes: tudo pode alterar a qualquer instante. Lembrando que quem não tem para onde ir, vai para qualquer lugar. A única certeza que temos é que o cenário vai mudar, queiramos ou não. Atualmente, estar preparado é e será fundamental e imperativo para se ter uma transição com sucesso.

Só para ilustrar este contexto, numa pesquisa feita pela Adecco no início de 2021, 70% da população da América Latina que respondeu à pesquisa trabalha mais de 40 horas por semana, tanto nos níveis mais seniores quanto na linha de frente, o que torna uma tarefa bem difícil pensar no seu plano de vida. Em verdade, diria quase impossível ter um olhar detalhado para outras áreas de sua vida ou mesmo pensar nos seus verdadeiros interesses.

Diante dessa realidade, o que então deve constar um plano de vida, onde carreira é somente um item? Vamos analisar abaixo quatro fatores que julgo fundamental para se ter este plano.

1º. Você deve se conhecer. Isto implica em entender bem na sua história quais os padrões existentes, conhecer suas fortalezas, o que há para desenvolver, suas satisfações, suas insatisfações, seus sonhos e desejos, seus valores e seu propósito. Implica, também, em analisar como você distribui suas atividades entre o campo emocional, o familiar, o profissional, a saúde etc.

2º. Você deve levar em conta o que te motiva. Por exemplo, é ter foco nas áreas de decisão? Ter algum grau de motivação para atingir o topo ou é ter autonomia? Ou ainda poder equilibrar melhor sua vida profissional com a pessoal? Ou foco na criação e desenvolvimento de novos negócios? Ou é foco nas suas áreas de competência? Ou ter previsibilidade e segurança financeira? Ou seu foco está na superação contínua de obstáculos?

Lembre-se que os motivadores deverão ser a base para se definir o que se vai fazer no futuro.

3º.  Os seus sonhos são importantíssimos para um balizador do seu plano.

4º.  Seu Planejamento permitirá que você saia do papel e vá para ação. Ele deverá responder às perguntas: 

Que estratégias vou usar para chegar lá? 

  • Quais serão minhas metas no curto, médio e longo prazo?
  • Que ações devo tomar? 
  • Qual o passo a passo? 
  • Quais recursos serão necessários?

Todos os recursos deverão ser levados em conta. Não se esqueça que seu planejamento financeiro também é igualmente importante para a construção de um plano, que deve ser baseada nestes quatro itens citados, assegurando que você possa seguir adiante mesmo em momentos de extrema turbulência. 

Deixo com vocês uma frase de Lao-Tsé: “Uma viagem de mil milhas começa com um primeiro passo.” Boa Viagem!

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